Impacto ecológico, comportamental e fisiológico da bioinvasão sobre populações nativas: o caso do siri invasor Charybdis hellerii

CONTEÚDO

I. Imagens
II. Equipe
III. Notícias
IV. Documentos
V. Financiadores


A competição e a predação são processos ecológicos importantes, desenvolvidos ao longo de anos de história evolutiva, tanto entre espécies animais quanto vegetais. Esses processos ajudam a trazer equilíbrio aos ecossistemas, uma vez que ambos tem o potencial de regular e “controlar” populações de organismos. Entretanto, qualquer evento que venha a gerar desequilíbrio nesses processos, como por exemplo o aumento da predação e a diminuição da competição, pode consequentemente provocar danos irreversíveis ao ecossistema, inclusive com a perda de espécies por extinção local. Atualmente umas das maiores preocupações de grupos de pesquisa que trabalham com ecologia em ambientes marinhos é a questão da bioinvasão. Com a globalização, aumento do tráfego marítimo e aumento da capacidade de transporte dos navios transoceânicos, a dispersão de espécies nativas marinhas via água de lastro, é cada vez maior e mais freqüente. Uma vez fora de seu habitat natural, essa espécie introduzida passa a ser invasora, e uma vez conseguindo se estabelecer no novo ambiente, passa a competir com espécies existentes naquele ambiente, chamadas de nativas, e muitas vezes a predar espécies daquele ambiente. Esse evento muitas vezes pode provocar o aumento da predação sobre espécies, caso a espécie invasora passe a se alimentar de espécies que já servem de alimento para as outras espécies pré-existentes naquele ambiente, podendo assim diminuir a população de presas. Essa espécie invasora também pode passar a competir com as espécies nativas, e caso essa competição influencie na predação através do tempo de interação comportamental entre as espécies competidoras, pode haver uma diminuição na predação de presas, ocorrendo o aumento populacional dessas espécies de presas. Todas essas alterações provocarão consequentemente o que chamamos de efeito em cascata ou efeito dominó. Onde o aumento ou a diminuição da população de uma espécie, provoca consequentemente o aumento ou a diminuição da população de outras espécies. A dimensão do dano provocado por esses eventos ao ecossistema vai depender do grau de ligação e de interação entre as espécies que sofreram o impacto, e essa ainda é uma questão pouco estudada.

O objetivo do nosso projeto é justamente investigar, avaliar e examinar os impactos da bioinvasão sobre as comunidades de espécies nativas. Como modelo de estudo adotamos o siri invasor da espécie Charybdis hellerii. Essa espécie é originária do Indo-Pacífico, o primeiro registro de sua ocorrência no Oceano Atlântico ocorreu em Cuba em 1987, e no Brasil em 1996. Desde então diversos estudos revelam uma disseminação dessa espécie invasora pela costa brasileira e nenhum avalia os impactos dessa introdução. Para avaliar tais impactos dessa bioinvasão e os efeitos sobre as nossas espécies nativas, o projeto foi dividido em cinco etapas:

  1. avaliar a ocorrência e abundância dessa espécie invasora e das principais espécies nativas, que podem competir por recursos como alimento e abrigo com a espécie invasora, ao longo do litoral paulista;
  2. avaliar se as presas consumidas pela espécie invasora são as mesmas consumidas pelas espécies nativas através de análises de conteúdo estomacal, e se conseqüentemente há a existência de uma sobreposição de nicho alimentar entre a espécie invasora e alguma das espécies nativas, o que poderia trazer grande risco a espécie nativa que compete por alimento com a invasora;
  3. avaliar as interações comportamentais entre a espécie invasora e as espécies nativas, com intuito de entender como é a relação entre essas espécies em ambiente natural;
  4. avaliar o impacto que o aumento da pressão predatória gera sobre a comunidade de presas, uma vez que mais um predador está sendo inserido no ambiente; e
  5. avaliar a ocorrência de alterações fisiológicas nas espécies nativas mediante a presença da espécie invasora. Uma vez presente no ambiente, a espécie invasora gera algum estresse as espécies nativas?
Desta forma, espera-se com esse projeto, contribuir para o aumento do conhecimento sobre os impactos gerados pela bioinvasão, fornecendo subsídios para o desenvolvimento de novas pesquisas científicas, e proporcionar embasamento científico para que sejam realizadas ações por parte de órgãos gestores responsáveis, visando à conservação, manejo e uso sustentável de nossas zonas costeiras.

I. Imagens

 
Imagens do siri invasor Charybdis hellerii.
 
Comparação do siri invasor (à esquerda) com o siri nativo (à direita).
 
Imagens das coletas mostrando o abdomen de Brachyura (à esquerda) e Concha de bivalve (à direita).
 
Imagens das coletas.
 
Imagens das coletas.
 

II. Equipe

 
  • Diogo Nunes de Oliveira (Instituto de Biociência da UNESP de Botucatu/SP)
  • Ronaldo Adriano Christofoletti (Instituto do Mar – UNIFESP/Santos)
  • Rodrigo Egydio Barreto (Departamento de Fisiologia – IB – UNESP/Botucatu)
  • Camila Gastaldi Blanco (Departamento de Zoologia – IB – UNESP/Botucatu)
  • Fernando José Zara (Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária – UNESP/Jaboticabal)
 

III. Notícias

 
 

IV. Documentos

 

V. Financiadores

 
Instituto Costa Brasilis - Desenvolvimento Sócio-Ambiental
Rua Emiliano Cardoso de Mello, 46, Vila Butantã, CEP 05360-000
São Paulo - SP - Brasil